Mente sem Mentos®


A Violência das Leis


Muitas constituições foram criadas - a começar pela inglesa e a estadunidense, terminando com a japonesa e a turca - de modo a fazer com que as pessoas acreditassem que todas as leis estabelecidas atendiam a desejos expressos pelo povo. Mas a verdade é que não só nos países autocráticos, como naqueles supostamente mais livres - como a Inglaterra, os EUA, a França e outros - as leis não foram feitas para atender a vontade da maioria, mas sim a vontade daqueles que detêm o poder. Portanto elas serão sempre, e em toda parte, aqueles que mas vantagens possam trazer à classe dominante e aos poderosos. Em toda a parte e sempre, as leis são impostas utilizando os únicos meios capazes de fazer com que algumas pessoas se submetam à vontade de outras, isto é, pancadas, perda da liberdade e assassinato. Não há outro meio.

Nem poderia ser de outro modo, já que as leis são uma forma de exigir que determinadas regras sejam cumpridas e de obrigar determinadas pessoas a cumpri-las (ou seja, fazer o que outras pessoas querem que elas façam) e isso só pode ser obtido com pancadas, com a perda da liberdade e com a morte. Se as leis existem, é necessário que haja uma força capaz de fazer com que alguns seres se submetam à vontade de outros e esta força é a violência. Não a violência simples, que alguns homens usam contra seus semelhantes em momento de paixão, mas uma violência organizada, usada por aqueles que têm o poder nas mãos para fazer com que os outros obedeçam à sua vontade.

Assim, a essência da Legislação não está no Sujeito, no Objeto, no Direito, na idéia do domínio da vontade coletiva do povo ou em qualquer outra condição tão confusa e indefinida, mas sim no fato de que aqueles que controlam a violência organizada dispõe de poderes para forçar os outros a obedecê-los, fazendo aquilo que eles querem que seja feito

Assim, uma definição exata e irrefutável para legislação, que pode ser entendida por todos, é esta: "As leis são regras feitas por pessoas que governam por meio da violência organizada que, quando não acatamos, podem fazer com que aqueles que se recusam a obedecê-las sofram pancadas, a perda da liberdade e até mesmo a morte".

By Leon Tolstoi, in A Escravidão de nosso tempo, 1900.


Escrito por inConsciência céptica às 17h26
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A Origem da Revolução


Todos os homens são iguais e livres e a sociedade é, portanto, por natureza e predestinação, ignorável. Se o campo de atividade de cada cidadão é determinado pela divisão natural do trabalho e pela escolha de uma profissão, se as funções sociais são combinadas de maneira a produzir uma profissão, se as funções sociais são combinadas de maneira a produzir um efeito harmonioso, a ordem é uma conseqüencia da atividade livre de todos os homens; não existe governo. Quem quer que coloque a mão sobre mim para governar-me é um usrpador, um tirano e eu o declaro meu inimigo.

Mas a filosofia social não admite imediatamente essa organização igualitária; a idéia de cautela, uma das primeiras a surgir na sociedade sempre se opôs a ela. Igualdade chega até nós através de uma sucessão de tiranias e governos, nos quais a liberdade está constantemente sob o domínio do absolutismo, como Israel e Jeová. Desse modo, para nós, a igualdade nasce freqüentemente da desigualdade; a liberdade tem seu ponto de partida no governo... a autoridade foi a primeira idéia social da raça humana. A segunda foi lançar-se imediatamente à tarefa de aboli-la, cada um desejando usá-la como instrumento de sua própria liberdade contra a liberdade do outro...

A origem da revolução, sabemos ainda, é a Liberdade. Liberdade! Ou seja:

1. Emancipação política, pela criação do sufrágio universal, pela centralização das funções sociais, pela revisão constante e perpétua da Constituição.

2. Emancipação industrial, pela garantia mútua de crédito e venda. Em outras palavras: não mais o governo do homem pelo homem através da acumulação de poderes; não mais a exploração do homem pelo homem através do acúmulo de capital.

By Pierre Proudhon in "As Confissões de um revolucionário", 1849.



Escrito por inConsciência céptica às 17h25
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